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A importância do techno na sociedade

Written by on 1 de janeiro de 2019

Revolução e liberdade. Desprender o techno e a sua cena do contexto histórico que uniu diversos fatores para que o gênero florescesse e tomasse a forma que tem hoje. Desde a sua criação, o techno sempre esteve em conexão profunda com as minorias – negros, gays, etc – e serviu como refúgio para muitos. É claro que nem todos os DJs e produtores criaram música, festas, coletivos e conceitos com essa intenção em mente, o ato de criar é político, mas nem sempre se tem consciência disso. Música não precisa vir com uma mensagem por trás e não existe obrigação de se posicionar, porém não dá para se negar que se dermos alguns passos para longe e tentarmos ver a cena como um todo, os nós que conectam os momentos históricos/políticos/sociais com a cena são tão nítidos que é impossível ignorar o papel do nosso estilo como um catalisador social.

O termo Techno surgiu no meio dos anos 80 para descrever a cena que estava tomando forma em Detroit. Hoje em dia o termo engloba diversos significados e sub-gêneros, mas no começo era limitada ao que acontecia no âmbito local com produtores Juan Atkins, Derrick May e Kevin Saunderson – mais conhecidos também como Belleville Three. Estabelecendo quase que uma instituição em volta do que acontecia, de maneira orgânica e nem sempre consciente, porém real e palpável. Nomes como Jeff Mills, Kraftwerk e Yellow Magic Orchestra também tiveram grande impacto na transferência da eletrônica para o Techno.

Os anos 80 foram alguns dos anos mais lindos, culturalmente ricos e animados, porém também foram alguns dos mais dolorosos, repletos de morte e solidão. Isso se deve a epidemia de AIDS que teve início em 1981. A comunidade mais diretamente afetada pela epidemia foi a LGBTQ. No meio de toda essa morte, houve uma persistência na vida, não somente em sobreviver, mas em de fato viver, criar, experimentar.

Durante os anos 90 o cenário político e a tecnologia foram revolucionados. O muro de Berlim caiu em 1989 ao som de muito Techno, e a globalização atingiu seu ápice com o avanço e domínio quase que onipresente da Internet. De repente o mundo inteiro estava conectado e o acesso para sons, referências e informações – que hoje em dia nós achamos normais de se ter – se tornou uma realidade constante. Produção musical nunca foi tão interessante, com nomes como Depeche Mode e Kraftwerk explorando os limites da interação entre o orgânico e o sintético, o real e o surreal, o novo e o velho. Mais do que nunca o Techno serviu como ferramenta de união entre gêneros, raças e etnias, trazendo todos juntos dançando para o mesmo som encostando ombros na mesma pista. O estilo viajou para diversos pólos e lugares como São Paulo, Londres e Tel Aviv passaram a interpretar o que já estava acontecendo em Berlim e Detroit e traduzir a cena para o seu local.

Nos anos 2000, crescemos, percebemos erros e reconhecemos as origens do movimento – minorias, sempre. Falta de representatividade em line ups, rankings e na mídia é motivo de grande irritação e discussão nas redes sociais. Coletivos feministas estão tomando forma ao redor do mundo para unir as mulheres na indústria e apoiar umas às outras dentro do clubinho masculino que foi o Techno por tantos anos. Núcleos criativos continuam aparecendo ao redor do mundo, promovendo ocupações públicas, intervenções artísticas e um ativismo impressionante.

Em São Paulo, um dos Clubs responsáveis por apoiar o movimento foi a Sound Factory, entre os anos de 1985 e 1997 reuniam jovens com pensamentos alternativos na Penha e tempos depois uma nova unidade foi criada em Pinheiros. O Club era o ponto de encontro de Drag Queen, LGBT e simpatizantes, na época surgiram marcas de roupas para destacar o movimento que vinha crescendo.

Nesses últimos quase 40 anos de história, o Techno evoluiu, tomou proporções astronômicas e atingiu um status mainstream, com festivais ao redor do mundo reunindo milhares de pessoas para ver nomes como Maceo Plex, Richie Hawtin e Dubfire. Assim como todas as outras artes, a música tem movimento fluído e expressões individuais que formam um caleidoscópio do coletivo quando vistas juntas. Por mais que nem todos os DJs sejam vocais no seu ativismo e cunho político como a The Black Madonna e o Seth Troxler, não dá para se negar que a cena teve seu início casado com o contexto do seu tempo que é, por obséquio, definido pela política e questões sociais. Essa conexão sempre vai existir e é partindo dessa afirmação que mais e mais artistas passaram a se posicionar de maneira mais aberta e dialogar sobre desconstrução de padrões pré-impostos na sociedade. De novo, vale ressaltar que o Techno, e a música eletrônica como um todo, existe independente da sua consciência política, porém é explorando a mesma que a música se torna ainda mais experimental, ainda mais impactante, e ainda mais universal – ainda que única.

É muito interessante buscar na história as relações da música eletrônica na sociedade, o motivo pelas qual foi criada, é interessante observar nas produções as características de cada região ficam bem evidentes, no set abaixo, com clássicos de Detroit(USA) e Berlim(DE) fica mais fácil identificar, sem tirar sua beleza.

 

Até o próximo artigo.

Fonte : https://pt.wikipedia.org/

 

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